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3 min de leitura

A mudança na cápsula do tempo do Spotify e a bostificação do software

Spotify simplesmente removeu uma das suas melhores funcionalidades. Além de reclamar um pouco, quero abrir um debate sobre o que os softwares estão se tornando.

Estava eu, esses dias, ouvindo música no Spotify. Normalmente escuto outras coisas, mas naquele momento só tinha música pop estadunidense na fila, um dos meus hiperfocos momentâneos. Então, decidi abrir a cápsula do tempo no aplicativo para saber de verdade quantas horas eu tinha passado escutando Justin Bieber e Taylor Swift. Foi aí que eu vi algo tinha mudado depois da última atualização do app: a seção “cápsula do tempo” foi trocada por uma nova funcionalidade chamada “estatísticas musicais”.

O que era

A cápsula do tempo era incrível. Dava pra ver as músicas que eu mas tinha escutado no mês, os artistas que mais estiveram junto comigo, e algumas curiosidades, tipo “você escutou The Fate of Ophelia 5 vezes dia tal”. Era muito bom, e uma das melhores coisas era publicar no Instagram, todo final do mês, um card disponibilizado pelo Spotify mostrando essas informações.

Era perfeito. Nem muito bloat, nem minimalista demais. Até dava pra ver um histórico de como foram todos os meses anteriores.

O que virou

Ao invés de ser dividida por mês, agora essa seção é por semana. Parece um detalhe bobo, mas simplesmente estraga toda a experiência. Além de eu não conseguir mais ver os meses anteriores, fica péssimo de postar como retrospectiva no Instagram. Mas tem algo pior: ainda adicionaram uma função INÚTIL de convidar amigos pra um grupo e cada um ver o que o outro está escutando. Nada mais do que bloat.

Por que estão fazendo isso?

Na verdade esse tipo de atualização parece ser uma tendência no mundo das plataformas e e dos SaaS. Enfiam uma feature que absolutamente ninguém queria goela abaixo, e os usuários acabam se adaptando. Parece uma necessidade de deixar tudo mais cool, mais prático, mais intuitivo. Mas acaba tendo o resultado contrário. Algumas coisas têm que simplesmente abraçar o minimalismo. É melhor pra todos, sabe?

Alternativas?

Há algum tempo eu venho acompanhando um movimento de “desmodernização”, de volta às origens. Parece que existem pessoas dispostas a parar com todas essas trends e voltar aos tempos onde tudo parecia ser melhor. Que tal ter controle de verdade sobre suas músicas, ao invés de alugá-las, usando plataformas como Tidal ou Qobuz, por exemplo? Voltar a organizar os MP3s em pastas, fazer scraping das capas dos álbuns… parece ser interessante, não vou negar. É algo que estou considerando fazer.

Existe pirataria também. Por muito tempo as pessoas fizeram download das suas músicas de sites obscuros. Não vou falar muito sobre, mas quem viveu essa época deve lembrar do quão melhor as coisas eram. Infelizmente sou novo demais pra ter tido experiências como essas.

Enfim…

Podiam ter simplesmente deixado como estava, ou ter colocado essa nova atualização como uma seção separada. Assim pelo menos poderíamos ter a opção de dizer não. Mas, fazer o que, né? Acho que é justo estar desapontado com o rumo que estamos tomando, e procurar assumir outra postura.

Faça o que você quiser!

Só estou dando minha opinião, você não tem obrigação nenhuma de concordar.